História da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes

 

Nossa Senhora do Rosário  A partir de 1811, na povoação de São José do Norte, cuja capela era sucursal da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Estreito, pois só foi elevada à freguesia em 1820. Um grupo de homens, que empregavam suas atividades nas operações de carga e descarga dos navios, iniciaram um movimento de festividades religiosas em veneração à Nossa Senhora dos Navegantes, utilizando, porém, uma imagem de Nossa Senhora do Rosário (Rozario na imagem ao lado), visto não existir figura alguma da Virgem sob a invocação pretendida.

Os homens engajados nas operações de carga e descarga atuavam nos navios fundeados ao largo e que eram atendidos através de catraias.

O dia escolhido para essas festividades foi 02 de fevereiro, que no calendário católico dedicava à Purificação de Nossa Senhora.

As catraias eram então, devidamente ornamentadas, e o vigário da povoação do Norte prestigiou, desde logo, a festividade de origem popular.

Acompanhado pelos devotos, o sacerdote encabeçava uma procissão, em que levada em andor a imagem de Nossa Senhora do Rosário e, chegando à praia, todos tomavam os seus lugares na catraias, que enveredavam em direção aos navios fundeados. Ao passar por eles, o vigário lançava a sua benção, e os respectivos tripulantes, em gesto que correspondia a um espetáculo de devoção, lançavam às águas as suas oferendas florais.

Quando o tempo permitia, as catraias estendiam o percurso, tornando a procissão mais prolongada, vindo até a ponta da Macega, na Vila do Rio Grande de São Pedro, e rumava pelo canal do Norte, chegando à povoação de pescadores, em torno da Atalaia, onde estes profissionais a recebiam ruidosamente, genuflexos, em seus pequenos barcos ou nas areias da praia, recebiam, também a bênção litúrgica.

Ao iniciar-se a segunda metade do século XIX, São José do Norte experimentava um período de progresso e de prestígio.

E, por essa época, foi lá construída a nova igreja da localidade, um templo majestoso, que logo se tornou o exemplar mais expressivo da sua arquitetura urbana, superando, em porte e em atavios, a Matriz de Rio Grande, que já se havia tornado cidade (desde 1835). Este templo foi inaugurado a 2 de fevereiro de 1860.

A festividade de Nossa Senhora dos Navegantes, iniciada em 1811, ganhou então novo impulso, envolvendo as populações das duas localidades fronteiras... continuando ainda a ser levada a efeito com a utilização da imagem de Nossa Senhora do Rosário.

 

Nossa Senhora dos NavegantesAnos mais tarde, o templo de São José do Norte ganhou a sua imagem de Nossa Senhora dos Navegantes que, segundo o escritor rio-grandino Marcos de Miranda Armando (intendente municipal de São José do Norte entre 1912 à 1920), foi oferecida a Irmandade criada sob à sua invocação por capitães, mestres tripulantes de variadas categorias, homens que, arrostando, permanentemente os perigos do mar em frágeis embarcações enchiam-se de fé para implorar a proteção da Virgem.

A imagem era de pequenas dimensões e fora mandada fazer na Bahia então um centro famoso de artistas escultores em madeira, com finalidades sacra.

Colocada no interior de um barquinho delicadamente confeccionado a imagem chegou ao Rio Grande no dia 21 de dezembro de 1875 e logo foi levada para a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes da Vila do Norte, tendo sido levada processionalmente através do canal, a bordo de uma catraia pertencente a Fortunato Gomes Polônia. A catraia foi rebocada pelo vapor “Progresso”, seguido de extenso cortejo de embarcações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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